sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO

DEGUSTAR

Não seria bom podermos degustar,
Todos os minutos que findam,
Reviver neles a sensação de uma doçura ínfima,
Que em perdido gosto desafiam o sabor,
Da ilusão em que dá gosto viver.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

PEÇA SURDA

Nem sempre o ilusório alimenta a história,
Molda a personagem em noite inglória,
Enche o palco e alimenta o público,
Entre aplausos mudos e apupos surdos.
Cai o pano em silêncios desertos,
Esconde a vergonha de olhares indiscretos,
Num debruçar de corpo em sentimento frio,
Em bastidor despido, sem cor e vazio.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CONVERSAS PERDIDAS

Nem sempre se consegue esquecer,
Conversas perdidas que não vimos nascer.
Renascem de cinzas de outras vidas queimadas,
Quebram vontades outrora sequestradas.
Enaltecem murmúrios que nos entram no ouvido,
Sussurram no tempo o silêncio perdido.

São milhares as que se fazem ouvir,
Outras tantas que no tempo deixaram de existir.
Reduziram-se à insignificância de uma vida contada,
Em história turva pelo silêncio quebrada.
Redimiram-se, sem saber, num papel principal,
Outrora esquecidas por um mundo desigual.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

FACES

Faces estas que se confrontam num espaço invulgar,
Rostos incompletos, distantes, lançados à sorte e ao azar.
Perversos, inconstantes, distorcidos, errantes,
Que por entre fios de cabelo negros desencontram olhares cessantes.
Criou-se um espaço onde não nos encontramos,
Onde não faz sentido coexistir com distorções perdidas.
Criou-se na procura a face da mentira e num espaço invulgar,
Todos aqueles minutos de inúmeras vidas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

FORA DE CENA

Inquestionável sede de conquista que se impõe em horizonte ausente,
Que distorce a voz e disturba um passado presente.
Que nos entope de insensatez em exacerbados toques de malvadez,
Por imagens nem sempre nítidas às mãos de quem as fez.
Ausentes de cores e de tons densos que se perdem em curioso olhar,
Entre cenários perdidos daqueles que nunca os quiseram encontrar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

GRITOS

Todos resistimos à história por entre gritos de vitória,
Exaustos gestos ambíguos, cegos, vazios, crentes,
Que por entre traços ausentes em destinos pardacentos,
Nos preenche por dentro a realidade ilusória,
Sempre resistente à história de tais gritos ocos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

MARÉ BAIXA

Por entre a fina areia que as marés nos trazem,
Perpetuam histórias que nos amarguram,
Distorcem o caminho das ondas que jazem,
Em terno leito onde lágrimas recuam.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

SÍTIO SEM LUGAR

Sem saber esquecer não se preocupou em procurar,
Tudo aquilo que se fez ver num sítio sem lugar.
Por entre desalinhados caminhos escuros,
Em vívidas viagens sem destinos,
Procura-se o que nunca soubemos que existe,
Em quente abraço vespertino.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

SEM TOM

Monocórdico uivar que por entre a noite ecoa,
Monocromático olhar que cego não vê à toa,
Sincronismos sórdidos que por entre o negro perdoa,
As palavras ocas que sem sentido se soltam.