quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

HISTÓRIA DO FUTURO

"O tempo, como o Mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado, outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa."
António Vieira, S.J. (1608-1697)

FELIZ ANO NOVO

A todos um Feliz Ano de 2009 cheio de saúde acima de tudo e depois tudo a que temos direito: amor, trabalho, muitos amigos e felicidade.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

DESATINO

Desatino com o amanhecer sem um sorriso,
Com o nevoeiro lá fora a tapar o sol que preciso,
Com a chuva a cobrir o céu e o solo que piso.
Com o frio que parece não deixar de nos abraçar,
Com os dias pequenos que não nos dão tempo de os passar,
Com os chapéus de chuva partidos espalhados pelo chão,
Com todos estes dias que parecem aparecer em dia não.

domingo, 28 de dezembro de 2008

MEMÓRIAS

Memórias estas que navegam a meu lado,
Em barco perdido de casco ferido.
Por marés de outrora distantes e tão incessantes,
Que me levaram de vela partida e sem leme,
Por mares que ninguém jamais teme.
Calmas águas que entorpecem meus braços,
Remar não é meu forte, mas poderia ter pior sorte.
Afundar-me em tal mar seria como desistir,
Abrir os braços e de tal sorte fugir.
Jamais o farei! Mil vezes meus braços quebrarem,
A alguma vez ver barcos meus naufragarem.

sábado, 27 de dezembro de 2008

DESERTO

Efémero desejo de ter o dom de me perder,
Atravessar quente deserto com miragens de prazer.
Ver o horizonte como infindável ponte,
Caminhar sobre a areia escaldante que ferve em meus pés.
Atravessar dunas incessantes de histórias correntes,
Mutáveis à paisagem, imutáveis ao que sentes.
Pôr-do-sol aquele que agora se deita bem lá no fundo,
Ausente do calor, ausente do dia, ausente do mundo.

TANTO E TÃO POUCO

Tantas ideias iniciais e tantas outras que tais,
Tantas criações que nos inspiram,
Tantas outras que por falta de uso expiram.
Tantos sabores que provamos,
Tantos outros que depois de provar contestamos.
Tantas notas que da pauta ganham vida,
Tantas outras não passarão de música perdida.
Tantas letras espalhadas para conseguir ler,
Tantas palavras dispersas para me poder perder.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

FACES

Faces aquelas que te observam distantes,
Perdidas no tempo, no entanto errantes.
Cobertas pelo escuro do céu, refugiadas da noite fria,
Sorridentes no alto, em pôr-do-sol luzidio.
Lá de cima nos olham, perdidos em plena rua,
Quantas faces temos nós e quantas tem a Lua?

SABER

Que intenso sabor tem o saber.
O saber dar e o saber receber,
O saber ganhar e o saber perder.
O saber saborear o pouco que o dia nos dá,
Do pouco saber fazer muito,
Do muito, saber viver minuto a minuto.
Saber não custa, custa é saber dar uso,
Aprender a saborear o uso de sabermos viver.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

AMAR-TE

Leva-nos para onde o sonho nos deixar,
Toma-me em tuas quentes mãos,
Vamos viver o que o momento nos tem para dar,
Voemos para onde o desejo nos leva,
Porque amar-te não tem senãos,
Porque amar-te é pura entrega.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL

A todos com que aqui partilho as minhas palavras,
Deixo o desejo de um Feliz Natal,
Onde os sonhos se tornem realidade,
Onde a realidade pareça o maior dos sonhos,
E onde a vida, saúde e o amor estejam sempre presentes.

domingo, 21 de dezembro de 2008

CAMINHO

De pés descalços sigo em frente,
Estranha forma de vida,
Aquela que me desmente,
Que jamais se dará por vencida,
Por entre a confusão decidida,
Será bússola em caminho ausente.

sábado, 20 de dezembro de 2008

PÉTALA

Flor que mora em minha mão,
A ti te peço perdão,
Quando tua forma desvirtuo,
Tirando pétala por pétala,
Na esperança de saber,
Se no fim irás bem me querer.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

EGOÍSMOS

Egoístas as palavras que se sobrepõem em meu ouvido,
Palavras surdas que olham pouco mais que seu umbigo.
Gordas de vontade, opulentas de ansiedade,
Soberbas ao ponto de esconder a verdade,
Que faz acontecer o futuro em palavras com sentido.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

MUNDO DENTRO DE TI

Nasce dentro de ti o mundo,
O sonho do que desejaste por mil vezes,
E por outras tantas sonhaste noites a fundo.
Agarraste a ele e sentes seu toque a cada segundo,
Pois não fosse ele vida dentro de ti,
Não fosse ele o teu mundo.

AQUÁRIO

Casa de vidro... serena,
Tão sufocante como pequena.
Redonda como bola, sem céu
Pergunto-me - "Porque moro lá eu?"

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

PERFUME

Teu perfume percorre o ar com doce sedução,
Segue-te como se de tua sombra fizesse vida,
Puro caminho envolvente de tentação,
Aroma puro que brilha em pérola perdida.

UTILIDADES OU INUTILIDADES

Que faz um ecoponto para colocar vidro e baterias de telemóveis, num evento patrocinado por uma marca de telemóveis e sendo que todos os copos são de plástico?




segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

PEDIR

Será pedir muito?
Pedir um pouco mais?
Pedir a hora num minuto?
Pedir que os inícios superem os finais?
Pedir que o olhar que te dou seja mútuo?
Pedir que tudo o que te peço não fine jamais?

domingo, 14 de dezembro de 2008

BAILARINA

A ti te vejo bailar, como pena que paira no ar,
Graciosa e volátil entre o teu doce aroma.
Perdida no espaço que nos rodeia,
Perdida entre finos grãos de areia,
Perdida na praia que nos viu.
Cama imensa que em quentes noites nos acolheu,
Cama fria que em noites de Inverno te perdeu.
A ti, bailarina, te convido para uma última dança,
Entre aromas de doçura e presença,
Por dentro do mundo que nos acolhe e acalenta.

sábado, 13 de dezembro de 2008

PECADO

Esboçar de teu rosto um sorriso é pecado mais que apetecido.
Fruta proibida em noite amadurecida,
Gesto nobre, de quem de palavras cobre este céu cinzento,
De quem por trás da cortina, aplaude e alenta.
Nesta peça em que todos entramos em que sorrimos e choramos,
Neste momento em que lá fora sopra o vento, em que o céu chora,
Onde o cinzento-escuro manto cobre as estrelas e as ignora.

CRER

Em mundos distantes, em espaços ausentes,
Vivem realidades expectantes, desejos ardentes.
Domínios criativos sobre pensamentos ambíguos,
Pedidos sentidos de vidas errantes, de outros castigos.
Paz aquela que transporta a esperança de quem sente,
O que vê, sem olhar... quem sem fé se torna crente.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

MALDIVAS

O governo das Maldivas já está a comprar terrenos noutros países para lá colocar as suas populações. Faz-me pena imaginar que um dia não poderei apontar no mapa, tal local idílico à minha filha(o). Mas irei decerto partilhar com ela histórias de sorrisos sinceros de quem vivia no paraíso, de quem do nada fazia muito. De quem vivia noutro mundo aparte do nosso, onde a azáfama do dia-a-dia se resumia à calmia de um mar azul, transparente e reluzente. Onde não existia maldade e onde a palavra valia mais que os papéis.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

VOU ESCREVER-TE

"Vou escrever-te mais um bocadinho. É que me faltava dizer-te que gostei muito da vida apesar de ter visto tanto sofrimento. É que vi muitas provas de amor. O nosso, o que os outros me tiveram, o que pude ter pelos outros. Isto dá-nos esperança para saber que é possível um mundo de amor. Vivi só para esse mundo e nenhum outro me interessa. Fico espantada quando penso nas pessoas que vivem completamente desligadas dele. Tenho a sensação que ainda não entraram no mundo verdadeiro, que têm andado por aí enganadas e que só aqueles que vivem do amor as poderão salvar com o amor que lhes derem mesmo sem elas quererem. Tu dizias-me uma vez que temos que aprender a amar os ricos e os poderosos. O amor não precisa de ser correspondido. A gente ama-os e pronto"
in O Tecido do Outono, António Alçada Baptista

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

DESENCONTRO NA AVENIDA

Subo esta avenida silenciosa e despida. Apenas o brilho das luzes contrastam com o escuro do céu. É noite fria e a rua encontra-se vazia. Vazia de pessoas, de carros, de imagens e de sons. Caminho por este passeio, calçada acima, pedra branca, pedra preta. Procuro o que desejo encontrar sem saber perder o que já soube um dia achar. Chego finalmente ao cimo da avenida. E agora que a olho cá de cima, vejo-a perdida, numa Lisboa imensa, que desencontra-se do que eu procuro... da tua presença.

domingo, 7 de dezembro de 2008

VIDA EM VERMELHO

Numa flute de champanhe jaze uma rosa, que de seus espinhos foi perigosa, em tempos áureos de seu vermelho. Reflexos de vida num espelho, que agora apenas recolhe as suas pétalas caídas, porém jamais esquecidas, aquando da sua vida em flor.

sábado, 6 de dezembro de 2008

CURTO CAMINHO

Reservo em minha memória pequenos pedaços de história
Pequena, por vezes serena, não calma de atropelamentos.
Filha de mil adventos e de tantos outros momentos
Que por mais que se caminhe e se possa no tempo navegar,
Irão sempre nos acompanhar, viver a nosso lado,
Tirar bocado, unir e olhar a união, fazer da vida lição.
Abraçar-nos com o carinho de quem abreviou por este curto caminho.

TASTE

Seth: What's that like? What's it taste like?
Describe it like Hemingway.
Maggie Rice: Well, it tastes like a pear.
You don't know what a pear tastes like?
Seth: I don't know what a pear tastes like to you.
Maggie Rice: Sweet, juicy, soft on your tongue, grainy like
a sugary sand that dissolves in your mouth. How's that?
Seth: It's perfect.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

DANÇAR O MOMENTO

Existem tantas coisas em cada minuto... para vivermos, para encontrarmos e para nos perdermos. Podemos dançar em cada música entoada, em cada saia rodada, em cada perdição que nos procura. Em paixões pautadas por batidas de coração, que faz do tempo a mais eterna canção. De mãos dadas, corpos unidos e rostos colados, abraçamos a música com minutos sem fim, que nos envolve e devolve os ternos momentos, que de cumplicidade jamais serão isentos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A TELA

Vi sobre a tela mil cores a jorrarem vida. Formas abstractas. Curvas concretas de caminhos dispersos que sem princípio nem fim, não se descreviam por si só. Uma pequena legenda no canto inferior direito acompanhava tamanha tela. Lá podia-se ler "sem nome". Estranho significado para tão grande amontoado de cor, que sem destino nem dono, não fazia sentido em reino sem trono. Dar vida a uma tímida e branca parede, não é tarefa fácil a qualquer um. Pois seria bem no meio da mesma que ela iria viver. Numa parede sem cor... num mundo a preencher.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

TEU SORRISO

Teu sorriso ofusca o olhar de quem escondido te observa.
Tímida presença, para tão grande coração que se reserva.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

BARALHO AS PALAVRAS

Misturo e distribuo como se de cartas se tratassem. Recolho-as de cima da mesa. Organizo-as por ordem alfabética tentando lhes dar um sentido. Não que depois as possa ler em frases, mas pelo menos posso levá-las comigo e atribuir-lhes imagens. Posso trocá-las por gestos ou por olhares, posso-te oferecer a tua, posso-te dar um pouco da minha. Podemos criar uma nossa e quem sabe no meio de tantas encontrar uma que dê sentido à vida que te dou... aquela que tu me dás.

domingo, 30 de novembro de 2008

FOGO E ÁGUA

A noite lá fora arrefece, coberta de uma chuva intensa de granizo. O som do Inverno faz-se sentir, e sem ninguém procurar, apresenta-se com um frio intratável, mesmo para o mais resistente dos corpos. As mãos gelam e pelas nossas costas passa um infindável arrepio. Encontro refúgio perto da lareira acesa, onde as chamas intensas iluminam o escuro da minha sala. Existem duas coisas neste mundo que me acalmam a alma, o fogo e a água. Fazem-me pensar e saborear o momento. Viver a intensidade das cores e a paz dos sons.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

CEGO

Cego de dia para ele não me ver,
Cego na noite para ela não me conter,
Cego quando me conduzo sem sentido,
Cego quando chego perdido.
Cego quando olho mas não vejo,
Cego quando no escuro espero um beijo,
Cego quando no silêncio não ouço nada,
Cego quando do dia se faz madrugada.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

DESPIDO

Sem me importar com os factos que me despem,
Despojo-me de pudores e outros tantos factores.
Entrego-me em teus braços nos locais ausentes,
Que de tão presentes me sentirem viver,
Me largam sobre o manto da noite,
Que encobre e descobre o sentido a levar,
Pelos passos que dou, pelo padecer do olhar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

CORPOS GELADOS

Corpos gelados estes que agora nos vivem,
Curta brisa que os acompanha e olha,
Para o Sol que brilha radiante bem alto,
Para o frio que nos deixa em sobressalto.
Cobrimo-los o mais que podemos,
Não olhando ao que possa vir à mão,
Frio este que nos cobre e gela,
Sobre o brilho e luz de um Sol de Verão.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

TUDO É POSSÍVEL

Neste mundo tudo é possível,
Atravessar o incerto, viver o incrível.
Olhar o amanhã sem que faça sentido,
Aguardar a resposta sem receio de castigo.
Caminhar sobre as horas sem sentir seu passar
Aguardar sentado a ver o dia acabar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

QUATRO ESTAÇÕES

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim.
A segunda é ver o Outono.
A terceira é o grave Inverno.
Em quarto lugar o Verão.
A quinta coisa são teus olhos.
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da Primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

domingo, 23 de novembro de 2008

VAGUEAR

Vagueio por aí. Sem destino nem ponto de partida, sem ponto de entrada nem ponto de saída. Dou-me a conhecer às entrelinhas que nunca ninguém lê. Pondero a verdade questiono o porquê. Exaspero no tempo que levita por cima de nossas cabeças, nos valores que sem pudores trocam seus lugares, com a mesma leveza de me perderes... com a mesma leveza de me encontrares.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

É A MINHA VIDA

É a minha vida a que me percorre neste momento,
É a minha vida o sangue que corre em minhas veias,
É a minha vida que me pausa no tempo,
É a minha vida a que respiro e me entrego.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

UM CONTO

Podia procurar o que no olhar não encontro podia desejar que a vida fosse filha de um conto. Imagino um velhote sentado, sobre seu livro debruçado a contar a história de sua vida distante que de tão inconstante que foi, quase que fazia de si um personagem sem nome. O cenário é frio numa sala pequena e funda. O calor emana de uma pequena fogueira, onde se ouve o estalar da madeira que o fogo consome. Todos nos sentamos a rodeá-lo, o que o faz sentir aconchegado pela atenção e solto no seu coração. A história é longa e os barcos à muito partiram no porto ancorado de sua vida. Mas nossos ouvidos atentos ficarão despertos para sua história comprida. A vida que encontro na história de um conto.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

LUTA DESENFREADA

Neste mundo que não é de ninguém, a luta é desenfreada. Sem limites, sem procuras do pequeno nada, que no momento não faz sentido, mas que no futuro pode fazer a diferença entre a calma e o desespero, entre o alívio e o medo. Levantar o rosto é importante dar a outra face, quando a que te olha já não faz sentido. Dou-te a mão para evitares o perigo da luta desenfreada que de tão pouco, te garanto que não vale nada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

TRANQUILIDADE PÚBLICA

"........................................................................."

domingo, 16 de novembro de 2008

PERFIL

Adivinhavam-se dias complicados, onde o todo se iria repartir por bocados. Não sabia os que guardar, não sabia os que reter. Apenas consegui apanhar alguns, apenas aqueles que por entre a confusão consegui ver. Tentei juntá-los, dar-lhes algum sentido. Jamais seria fácil. Mas um desafio é sempre bem-vindo. Muitas das cores não combinavam, muitas das formas não uniam na perfeição. Mas apenas com algumas peças consegui deslumbrar o perfil de teu rosto, o desenho da união.

CUMPLICIDADE

Quem não gosta de sentir o silêncio quando a cumplicidade invade uma troca de olhares. Quem não se sente cúmplice se o olhar se fechar e se oferecer na forma de um beijo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

LUA CHEIA

Hoje quando saía do trabalho, vi em meu horizonte, algo de uma beleza sem igual. Era grande... enorme, cheia, e de cor tão intensa que difícil era passar e não dar pela sua presença. Tão redonda e perfeita que parecia que tinha sido criada para do céu vir tocar o chão. Não me contive e tive de a partilhar, tal beleza não podia ser perdida. Pois não foi pedida e jamais pensada, por isso beleza igual, só voltaremos a ver, quando do céu cair a noite, e outra lua se oferecer.

RELÓGIO

A vida é feita de ideias, construções, sonhos e emoções. Roda viva, roda dentada, que de tão encaixada, gira sem fim! Parece coração de relógio certo. Pequena máquina de precisão. Onde passam as horas das nossas vidas, esperas perdidas... momentos conquistados... desejos entrelaçados. Uma vida ao alcance da nossa mão, pois apenas no presente se vive a verdade e do passado apenas se guarda a saudade.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

CRIANÇA

Debruçado sobre a janela, olho as pessoas a passarem em passo apressado, para mais um dia agitado. Cheio de turbilhões, que de tantas confusões e outras tantas questões, quase que se pode dizer que vai acabar cansado. A agitação lá fora é uma azáfama sem fim e os carros fazem um frenesim. Encolho meus ombros e fecho a janela, tomo o meu leite, beijo minha mãe, pego na sacola e salto para o mundo agitado, que para mim criança, até parece pecado. Vou para o meu mundo que de tão pequeno que ainda é, todos me chamam de "garnisé". Termo engraçado para fraca figura, que sorridente distribui amizade, sem excluir ninguém, preservando a igualdade daqueles que são meus irmãos de brincadeiras.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

ABSTRACTO

Cruzei as ideias que levitavam em minha mente,
Alimentei o raciocínio e como que num antro de perdição,
Conquistei as palavras que o comum dos mortais não sente,
Mas que pensa, reflecte e planta em si o acto de abstracção.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

DISSERTAR

Gostava de soprar aos sete ventos,
Voar sobre a noite escura,
Cobrir o céu de alento,
Afastar sentimentos de agrura.
Identificar as estrelas na palma da minha mão,
Girando o Mundo sem qualquer dissertação.

sábado, 8 de novembro de 2008

DESEMBARCO

Desembarco em mim tudo aquilo sonho,
Na doca em bom porto, num canto do mundo.
Descanso meus olhos no horizonte do mar,
Onde naveguei perdido onde não pude aportar.
Nas ondas me encontro quando se deitam na areia,
Onde sonho e imagino um mundo divino,
Teu doce olhar, teu encantar de sereia.