sexta-feira, 27 de junho de 2008

BARCO À DERIVA

Há já algum tempo que não me sentia assim, um barco sem rumo numa noite de tempestade, perdido na mais escura das noites, na pior das marés. Assumo a culpa de não saber levar este barco a bom porto de não procurar uma noite de paz, e em vez disso enfrentar a vida com o coração na boca. A tristeza de puder perder este barco no qual naveguei e fui tão feliz, deixa-me na mais profunda das mágoas, sem luz no horizonte. Pudia ter escolhido outro rumo, ter feito outra opções. Mas não! Tinha de dizer tudo o que me ia na cabeça, tudo o que me ia no coração. Confesso que não domino o dom de ficar calado, mas daí a perder aquilo que mais amo é dor demais. Manterei-me nesta maré, na esperança que a tempestade amaine, que o sol sorria outra vez, e que o barco não se perca. Não quero acordar perdido numa ilha após me ter afogado nesta tempestade. Quero antes voltar a beber da luz que nos iluminou, das marés serenas que nos carregaram, dos ventos de sul que nos aqueceram. Procuro-me nesta tempestade que se está a abater sobre mim, vivo aquilo que o tempo de dá, e não dá muito. Choro lágrimas de tristeza, salgadas como o mar que me carrega. Olho da proa a ver se vejo terra, mas terra não vejo. Procuro o tempo que diz sarar as feridas, procuro a vida que parece que fugiu debaixo de mim. A todos aqueles que me deram a mão, neste momento de tristeza o meu maior dos obrigada. Amo-vos de coração. Foram o porto que me reteve enquanto nadava à deriva, foram o farol que me iluminou perante a escuridão.

2 comentários:

Anónimo disse...

As tempestades passam sempre... sempre! Segura o barco e leva-o a bom porto, tu consegues. :-)
Patrícia

Raio_de_Sol disse...

Sorri! Mesmo que o teu sorriso seja triste. Porque mais triste que um sorriso, triste é a tristeza de não saber sorrir.
Beijo grande
S