domingo, 20 de julho de 2008

ESPELHO

Olho o que reflecte, vejo o que têm para mostrar, se gosto ou não? Não me importa. É como se vivesse um mundo simultâneo. Vivo o meu e o que vejo à minha frente. Espelho o que vejo e vivo o que espelho. Procuro-me na imagem que reflicto... por vezes encontro-me. Mas não sempre. Organizo-me para ver o que não quero, mas sim para ver aquilo que a vida tem para me mostrar. Por vezes gostaria de viver o interior do espelho, mas sem o dom de apenas copiar os gestos da reflecção. Mas sim o dom de poder viver outra vida dentro daquele pequeno espaço. Mexo-me em frente dele para ver até onde ele me acompanha, será que me acompanhará para sempre?... ou irá se fartar e procurar reagir a tudo o que não encontra. Mas aí a minha vontade irá sempre prevalecer. Se espelhar uma lágrima, irei limpá-la para não a ver deixar cair. Não pretendo espelhar lagos salgados de tristeza. Mas sim espelhar o mais belo dos sorrisos, onde mesmo até se a lágrima tiver que sair apenas desague onde a minha mão a alcance, para acolhê-la para mim, partilhá-la com quem me oferece o sorriso e não a deixar evaporar no imenso lago. Gosto de espelhar e partilhar sorrisos. Se eles encontram o meu interior quando me reflectem, nem sempre, mas prefiro oferecer mil sorrisos do que espelhar uma lágrima.

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