quarta-feira, 30 de julho de 2008

ESCURO

Olho lá fora, escura é a noite que me olha e me abraça. Frio é esse abraço pois em nada me aquece, em nada me ilumina, em nada me sorri. Sento-me sossegado no chão, num canto deste imenso espaço que me rodeia. Olho para baixo, pois para cima nada os meus olhos alcançam. A íris de meus olhos dilata tal a falta de luz que me olha. Não consigo alcançar nada à minha volta, pois nada se chega, nada vejo, nada me resiste. Abraço o vazio que sinto em mim. Apenas ele me acompanha nesta noite. Triste a alma de quem alcança o que nada vê. Triste a alma de quem escreve palavras molhadas das lágrimas que me caem nas mãos. Anseio por dias melhores, anseio que o dia chegue, mas quantos dias terá um dia tão longo como aquele que já algum tempo me vive? Quantos dias terá a noite escura, que me abraça e me arrefece a alma e me entristece o espírito. Ergo a minha cabeça, para novamente olhar lá fora, mas nada vejo... nem a lua que me acolheu nas noites em que apenas as estrelas a rodeavam e como que dançavam ao som da música que o vento entoava lá fora. Escuro me sinto, escuro me vejo... frio é o abraço no meu coração.

1 comentário:

Nenuco disse...

Bom texto, puto!