sábado, 12 de julho de 2008

PROCURO O SOSSEGO

Procuro o sossego da minha mente, num mundo intenso que vive dentro de mim. Um misto de tristeza e saudade que lutam entre si para ver quem consegue maior protagonismo. Ausento-me do meu espaço externo, e navego até ao outro lado... bem perto do rio. O ambiente é sereno, coisa que procurava para mim. O sol reflecte na ondulação do rio, dando vida a esse espelho. Estou só, mas ao mesmo tempo acompanhado por um enorme misto de sons e paz. Mil e uma recordações felizes deste espaço me ocorrem à memória para tão pequeno pedaço de terra onde estou. Dia agreste este, onde o vento sopra como se nos quisesse transportar em seus braços. Mas ali não. Ali não tinha espaço nem lugar para estar. Ao fundo duas crianças mestiças brincam na maior da sua inocência. Eram as duas de casais brancos e ambas adoptadas pelos mesmos, gesto que tem de tão digno como de raro se ver. Curioso, chamarem-se Manuel e Maria, que nomes mais tipícamente portugueses poderiam ter. Apenas eles quebravam o silêncio que ali reinava, com as suas gargalhadas de alegria, próprias de quem transporta a felicidade dentro de si. Ali estive no final de tarde, enquanto o sol se deitava e se fazia anunciar a noite. As pessoas mudavam, o calor também dava lugar ao frio, mas meu pensamento mantinha-se, pois transporto dentro de minha mente o melhor que os locais têm dentro de si e ofereceram à minha vida.

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