domingo, 31 de agosto de 2008

TU

Percorro um longo caminho, sem rumo nem destino. Ando como que sem sentido, apenas pelo gosto da procura e da descoberta daquilo que existe para além do que os meus olhos conseguem ver. Sigo os aromas que percorrem o ar, como que se navegasse perdido no mar. A lua é minha companheira. Ilumina-me os passos, percorre o mesmo caminho que eu... Sigo os sons que a natureza me oferece, sigo a mão que a lua me dá. Vou dar a um sítio idílio, onde o céu encontra o mar e a lua se espelha nas serenas ondas que se fazem ouvir. Sento-me um pouco na areia e assisto a este cenário que a lua me oferece. Sinto-me a assistir à mais bela das peças, onde eu não sou actor e onde todos os meus sentidos estão a desfrutar de tudo o que de belo a vida têm para nos dar. Aceito e não recuso. Não fecho as portas de meus olhos ao mundo, vivo e sinto o que acontece à minha volta. Procuro no infinito espelhar igualmente o passado feliz, mas apenas reflecte o futuro. Será então nesse futuro que encontrarei sem procurar aquilo que procuro sem encontrar... tu.

sábado, 30 de agosto de 2008

LIVRO DA VIDA

Existem momentos que fazem de nós seres eternos, que vivem para lá dos encontros e desencontros que o dia-a-dia nos oferece. Momentos que vivem quando fechamos os olhos e desfolhamos o livro que vai sendo escrito dentro de nós. Momentos onde tu vives, onde eu vivo, onde vivemos os dois. Fecho meus olhos e toco teu corpo. Ganha vida nas minhas mãos, suave e doce, parece pétalas de rosa a desfolharem-se perante meus dedos. Mas o que é, afinal? Abro os olhos e são momentos. Fecho então meus olhos de novo. E corro atrás de ti como se me tivesses fugido das minhas mãos, agarro-te e caímos na relva molhada, que nos ampara em seu colo. Sinto teus lábios nos meus e dentro de mim, tudo vive tudo te sente. Mas uma vez mais abro os olhos, e são momentos os que se desfolham do livro que vive dentro de mim. Procuro então agora de olhos abertos momentos que não vivam apenas dentro de mim. Momentos que se concretizem, onde de novo o mundo exista. Onde os toques, os beijos, os olhares, as palavras e os silêncios se realizem para lá do momento e se eternizem no livro da minha vida, onde eu vivo, tu vives. Onde vivemos os dois.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

EU ME CONFESSO

Viver com o coração perto da boca, faz-nos por vezes perder a razão quando ela está ao nosso alcance. E eu sou assim. Perco-me nas palavras, quando me deixo alimentar por elas. Vivo um grande defeito e pago o preço de o ter. Tenho essa consciência. Gostava de mudar, de pelo menos ter a hipótese de o fazer. Sinto-me filho de uma consciência que sabe o que sente, mas que não sabe o que diz. Coser a minha boca não era solução, mas deixar relaxar o coração e não lhe dar a hipótese de ser mais rápido que a cabeça, era um grande avanço. Aqui me confesso, que já ganhei muito por assim ser, não sou um vencedor, mas sim um lutador. Mas perdi o que mais amava. E de que vale ganhar a razão quando se perde o coração. Eu sou aquele que mil vezes penso que as desculpas não se pedem, evitam-se. E se tivesse o dom de fazer retroceder todos os meus relógios, gostaria tanto evitá-las. Mas de que vale a pena chover no molhado. Só depende de mim mudar, e espero que o consiga fazer. Por mim, por quem amo, por quem vivo. Quero a paz... espero que ela me queira a mim também.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

MIL E UMA HISTÓRIAS

De mil e uma histórias vive o mundo. Algumas sem canto nem recanto para contar, o que a pobre alma quer ouvir. Perdida nas linhas da memória, que sem perder fio à história vai deliniando no pensamento, as palavras que irá contar ao vento numa prosa sem fim. Ouvem-se palavras a cair do céu, como estrelas cadentes. Brilham e passam desplicentes ao ouvido de quem as ouve. Sem dar nem oferecer a mão, sem levantar o rosto e pedir perdão, passa a história, inglória, por um desfecho triste. Que apesar de ter vivido de punho em riste, acaba nas ruas da amargura, escorrendo junto a um passeio. Sem condições nem asseio, se limpa a história da memória, mas gira o mundo e não pára e mil e uma novas glórias vivem para se contar.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

BEIJO

Tirar do beijo aquilo que ele de melhor tem, é como esvaziar um balão e soltá-lo da mão. Ele andará perdido até acabar por cair... vazio. Sentir o seu sabor, viver o seu sentir, imaginar o que vive para lá de meus olhos fechados é todo um mundo que não se pode deixar cair. Transportar o que sentimos e partilharmos num simples toque de cumplicidade, faz de um simples gesto um grande momento. Pequeno na altura, grande no tempo. O beijo vive. Quem não se lembra do seu primeiro beijo? E quem esquecerá o último? Todos eles vivem, dentro de nós. E que gesto tão simples, pode marcar tantos momentos. O beijo no rosto em sinal de amizade ou cumplicidade. O beijo na testa em sinal de respeito. O beijo na mão em sinal de cavalheirismo... e os outros todos em tantos outros sítios que nos fazem percorrer aventuras, desventuras... amor e paixão, encontramos-nos no tempo e perdermo-nos para lá da ilusão.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

ROSA VERMELHA

Baixos são os sons que emanam das profundezas. Ouvem-se bem lá do fundo, quase inaudíveis ao comum dos mortais. Uma ligeira brisa fria arrepia a nossa derme. Ficamos alertas. Vivemos o incerto com a razão de estar no lugar certo. Curiosa e expectante a nossa íris abre-se no seu máximo, para não perder nada do que o vazio nos têm para mostrar. Escura é a noite, assim como tudo o que nos rodeia. Um agradável aroma percorre o ar, deixando todos os meus sentidos em alerta. Nada consigo, ver ou sentir... apenas consigo cheirar. Doce beijo teu aquele que vive em minha boca. Olho ao fundo e como que uma luz vermelha se faz notar, perante todo o cinza. Estico minha mão e sinto algo a penetrar minha pele, perante tal, toco devagar no incerto e tento sentir o que de tão belo emana tal aroma. É uma rosa vermelha. Vermelha como o sangue que agora escorre da minha mão, vermelha como o aroma doce que percorre o ar e emana paixão.

domingo, 24 de agosto de 2008

RESPIRAR-TE

Vivemos numa enorme bolha de ar. Onde caminhamos. Viajamos. Percorremos o infinito. Esperamos o amanhã quando ele já se tornou ontem, saltamos os minutos quando eles já se tornaram horas, onde respiramos o que já não existe. Onde já não existimos sem respirar. Olhamos mais além a tentar ver o que o futuro nos reserva, mas por mais que nos ponhamos em bicos de pés, não conseguimos espreitar por cima da enorme muralha que é o presente. Gostava de te ver e quem me vê, quem respira a meu lado, quem fará de novo as horas valerem cada minuto e o amanhã o dia que mais anseio. Aquele em que vou respirar a teu lado... e onde valerá a pena cada suspiro que nós dermos por podermos respirar a vida que em nós existe.

sábado, 23 de agosto de 2008

THE STORY

"All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
And baby I broke them all for you
Oh because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
You do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
It's hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
Oh but these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Oh yeah and its true, that I was made for you"
Brandi Carlile

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

PODERIA...

Poderia eu pensar em voar, se a mim jamais me deram asas;
Poderia eu alguma vez criar, se eu não sou o Criador;
Poderia eu pensar que sei, se jamais eu soube que pensei;
Poderei eu caminhar, se não sei o caminho;
Poderei eu amar-te, se é por demais o quanto te amo;
Posso eu saltar, se não sei onde vou cair;
Poderei eu me levantar de tamanha queda;
Poderia alguma vez cair, se não pensasse em voar;
Poderia eu pensar em voar, se a mim jamais me deram asas.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

ESCREVER

Escrever pensamentos, palavras soltas, desabafos, amores, paixões, desilusões, frustações, leva-nos a usar a palavra como nosso objecto de apoio, suporte, transporte, auxílio ou até mesmo ombro amigo. Na linha ilusória da folha da nossa imaginação deitamo-la e estendemos todo um conjunto de palavras que de tão extenso que é, quase me atrevo a chamar-lhe frase. Rima sem sentido, o que se sente por motivo. Escreve-se sem fim, num espaço confinado aos desejos da nossa mente e do nosso coração. Vive-se as palavras enquanto elas nos dão a mão. Tocamos as teclas ou pegamos na caneta e damos asas ao desejo de criar. Damos espaço às palavras, pois são elas que aqui pautam a canção. Finaliza-se a prosa ou até mesmo o poema. Termina a balada que entoa pelo tempo, que por muito curto que seja, para nós será sempre o nosso tempo, o tempo que a palavra carregar o toque que sentimos abraçar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

PÔR-DO-SOL

Sentado sobre a areia, cruzo minhas pernas e olho para o céu. Saboreio o pôr-de-sol que ele tem para me dar. Um fim do dia, embalado pelo som das ondas a deitarem-se sobre a areia molhada que as acolhe. Algumas gaivotas começam a tomar a praia como delas, pois a noite aí vem e as pessoas já escasseiam sobre o enorme areal. Ao fundo o laranja do Sol espelha-se sobre o imenso mar, como se o céu se ligasse com a terra. Divino o ambiente que me é oferecido, a calma e a paisagem em uníssono, criam como que das mais belas melodias. Como que me faz recordar o meu filme preferido, "A Cidade dos Anjos" onde todos se alinham num final de dia para ouvir o som do dia a pôr-se sobre o mar imenso. Tenho vontade de mergulhar como no final desse mesmo filme para me sentir vivo. Mas vivo já me sinto eu, e a água mostra-me um frio sorriso. Talvez também eu aqui esteja rodeado de anjos que vieram ouvir esta bela melodia que a conjugação do céu, terra e mar tem para nos oferecer, quem sabe se aqui estão ou não, ninguém. Mas a alma será sempre divina quando não é demasiado pequena para aceitar o que o mundo tem para nos dar.

domingo, 17 de agosto de 2008

ENCONTRAR-TE

Encontrar o que não perdi, é tão difícil como perder tudo aquilo que não encontrei. Procurar o olhar quando ele não nos olha, vermos o rosto quando ele não nos vê, tocarmos a pele quando ela não nos sente. É uma sensação fria, quase tão fria como a sensação de existir, mas não existirmos. Guardar memórias aquece, o que a sensação arrefece. A existência de uma desistência de viver, esquece a memória e a história de quem encontrou o que perdeu. Mas o sorriso da história é o reencontrar na memória, e transpor para a tela da vida toda a história vivida, transpor a perdida, e amar o que sempre viveu.

sábado, 16 de agosto de 2008

DE REPENTE OS OLHOS SÃO PALAVRAS

Quem fui? O que fui? O que somos?
Não há resposta.
Passámos. Não fomos. Éramos.
Outros pés, outras mãos, outros olhos.
Mas aprendi muito com a grande maré das vidas,
com a ternura da vista em milhares de olhos
que me viam ao mesmo tempo.

Pablo Neruda

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

NAS ASAS DO TEMPO

Todo o tempo que passa por nós tem asas. Voa lá bem alto, onde ninguém o pode agarrar. Vive nas ondas do dia, oscila no sopro da noite. É dono de si mesmo e olha-nos lá bem do alto em cada segundo que passa. Bate e rebate, como um compasso e conta todos os tempos, fortes e fracos. Voa nas asas dos ponteiros que nos dirigem, como se de batutas se tratassem. Eu sou um apaixonado por relógios, confesso, mas não escravo do tempo. As batidas que o tempo me oferece não são chicotadas que me pautam numa folha, como se de uma nota de música me tratasse. Mas muito pelo contrário, são baladas de encantar, tons de embalar. Ondas do meu dia que plana sobre mim em suas asas.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

MUNDO

Voltas e voltas, revoltam a volta que o Mundo dá. Gira que gira, bola que rebola. Dia que nasce noite que cai, rebola na bola em que o Mundo vai. Acorda-se de manhã rebola-se da cama, gira-se para o dia agitado que de preenchido quase se diz ocupado. Passa-se por ele à velocidade que ele passa por nós, respiramos fundo para retomar o caminho que iniciámos, e rebolamos veloz. Chegados a casa de um dia passado, comemos bocado, abraçamos o gato, olhamos o céu e vemos a Lua. Lua que gira em noite pequena abraça alma que vive serena. Fechamos os olhos dormimos profundo, rebola a bola, vivemos o Mundo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

SOL

Lá longe nasce o Sol
Toca o céu e toca a terra
Aquece o dia em uma canção
Vejo a luz que me ilumina
Vejo o que alcança em sua imensidão
Põe-se lá longe, e dorme na noite
Acolhe nos seus braços
Ao aconchego da Lua
Os que se perderam no dia
E viveram em vão

terça-feira, 12 de agosto de 2008

RIO

Longo e rápido corre o rio
Para onde assim?
Percorre o interior do vazio
Preenche as margens sem fim




domingo, 10 de agosto de 2008

PUZZLE

A vida é feita de contos e lendas, histórias e jogos. À não muito tempo, deixaram-me em mãos um enorme puzzle. Desde então que o tento montar. Todos os dias espalho peças sobre a mesa. A imagem final não me foi mostrada. Não sei por onde começar nem onde ele pode terminar. Pego peça a peça e tento conjugar todas as formas e encaixes. Tento dar forma e sentido aquilo que eu não sei o que é e que ninguém me desvenda. Um puzzle grande acho eu que seja, pois o amontoado de peças não têm fim. Tento dar um fio à meada, mas não está fácil. Enfim consigo encaixar as duas primeiras peças, encaixam tão perfeitamente como se dois corpos perfeitos se conjugassem. Tento encontrar um rumo para dar ínicio, imagino mil e uma imagens que possam ser, mas nenhuma se define dentro de mim. Perdido, olho para todas as peças e sinto como se todas elas me olhassem e me escolhessem como a próxima a arrumar neste enorme puzzle. Que desígnios lhes dar!? Desejo encontrar a imagem e o futuro que está por trás de tudo isto. O que eu desejava que fosse, apenas eu e quem me desmontou o puzzle e mo deixou nas mãos, sabe. O que será?, apenas Deus tem a resposta. Farei deste puzzle a minha vida e sou eu peça que se irá encaixar nesta enorme mesa, no qual me deito e espero por todas as outras peças certas para acabar a imagem que tenho dentro de mim. Uma certeza eu tenho, entre mim e a pessoa que me deixou este puzzle nas mãos, existe um anjo. Um anjo mulher que paira sobre um manto vermelho, e que ainda nos une. Unio-nos num ínicio, acompanhou-nos e continua a olhar por nós. Se esse anjo sabe a resposta não sei, mas que ele vive entre nós... eu sei que sim. Será essa a imagem do puzzle? Também não sei, mas mesmo que jamais ele se monte por completo, uma certeza eu tenho, gostava muito que fosses a peça que se encaixa em mim.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

SONHOS

Fecho meus olhos e toco meu rosto, sinto a minha tez como se alguém a estivesse a tocar. No escuro, por baixo das minhas pálpebras sinto a vibração do exterior. Vejo o que sinto, e fixo-me no espaço e no tempo, para perceber aquele ritmo que me percorre. Parecem ondas de um mar distante, filhas de um oceano pacífico... fonte de inspiração. Cruzo minhas pernas e fixo-me ali, a sentir a calma, a imaginar a cidade que vive por cima de nós. Um mundo de sonhos, perto do céu. Onde todos nós temos um canto e o percorremos. Partimos e conserta-mos, corremos e paramos, vivemos e saboreamos todos os momentos que aí existem para saborear. Um mundo de sonhos, onde amar faz sentido e onde errar não é pecado. Lá todos sabem que todos erram, e que todos merecem perdão. Sonhos que começam quando fecho meus olhos, e tu vives. Sonhos que acabam quando acordo e eu vivo. Sonhar também é uma forma de viver e por vezes mostra-nos as intempéries e os sorrisos que aí vêm. Sorrir não é pecado! Então sonho amar de olhos abertos e sorrir dos erros que o futuro me reserve. Pois uma certeza eu tenho, todos nós erraremos nesta vida muitas vezes mais do que aquelas que alguma vez amaremos.

domingo, 3 de agosto de 2008

PONTE

Aperto aquele que sinto no meu peito, aperto que não vive pela força que lhe é imposta pela razão de viver. Por entre sinuosos caminhos olho o sol que lá fora brilha, mas de tão apertado que o caminho é, apenas me envolve numa fresca sombra. Motivo que seria óptimo para o comum dos mortais, num dia tão recheado de calor como o de hoje. Mas eu não, eu preferia ser bafejado por esse calor, e olhado por esse enorme sol. Aquecer meu corpo e construir sobre mim e a ponte que me leva até ti um enorme arco-íris de cores imensas, apenas porque por instantes algumas gotas seriam bafejadas desse enorme rio que está entre nós. Faço de mim, reflexão do tempo que trás ansiedade, e vivo segundo a segundo, como o mais preciso dos relógios. Procuro em mim aquilo que o mundo não me oferece, procuro a minha alma que voou para onde? Não sei?, mas que também ainda ninguém encontrou. Mas enquanto viver esperarei. Esperarei que das pontes se façam caminhos, que dos caminhos se faça vontade e que da vontade se construa a razão de poder estar contigo de novo, longe do aperto no meu coração, com minha alma a te olhar e com a razão de viver a dar toda força a este sol imenso que nos ilumina e que faz de nós anjos de um mundo melhor... arco-íris da vida.

sábado, 2 de agosto de 2008

ONE

"If you'd know this was going to happen...would you have done it?"
"I would rather have had...one breath of her hair...one kiss of her mouth...one touch of her hand...than an eternity without it. ONE"

City of Angels

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

RENASCER DAS CINZAS

Renasce das cinzas, o cinza das pedras que escalo. Tento atingir aquilo que me procura. Ouço sua voz, sinto seu calor, vejo seu reflexo, apenas não alcanço seu espaço. O que é não sei, mas também não arrisco a perguntar. Prefiro viver na ignorância de quem não quer saber, de quem olha e não quer ver, de quem toca mas não quer sentir. Prossigo por entre pedras agussadas que quase rasgam minha pele, mas continuo sem dor sentir. Pois afinal o que somos nós, senão apenas bens materiais de um mundo egoísta. O que vale é o que existe dentro de nós, e essa sim se rasgada pela vida, magoa. Escalada íngreme, esta, que agora tomei. Mas não penso em desistir, pois afinal não podemos mudar o mundo, mas podemos tentar mudar a vida que nos circunda. Escorrega-me as mãos, mas alguém me dá a mão para não cair desta já de si imensa altura. Afinal o calor que sentia, estava lá para me agarrar e me acolher em suas mãos. Agarro-me a esta salvação, com todas as forças que ainda me permitem continuar. Afinal meus olhos estavam turvos de tanto esforço, pois o topo já estava ali bem perto. Alcanço-o e sento-me olhando o horizonte. Olho para meu lado e afinal não estava só, todo o calor e reflexo estava ali a meu lado, a aquecer-me do frio deste topo e a reflectir aquilo que vai dentro de mim. Olho agora para aquilo que é o espaço onde caminhamos, como peões de uma vida que nos maneja a seu belo prazer. Cabe-nos a nós não aceitar isso. E não aceito! Serei peão sem destino, razão sem caminho e renascerei das cinzas, com a cor que me dá a vida, mas tentando cinza não ser....