domingo, 30 de novembro de 2008

FOGO E ÁGUA

A noite lá fora arrefece, coberta de uma chuva intensa de granizo. O som do Inverno faz-se sentir, e sem ninguém procurar, apresenta-se com um frio intratável, mesmo para o mais resistente dos corpos. As mãos gelam e pelas nossas costas passa um infindável arrepio. Encontro refúgio perto da lareira acesa, onde as chamas intensas iluminam o escuro da minha sala. Existem duas coisas neste mundo que me acalmam a alma, o fogo e a água. Fazem-me pensar e saborear o momento. Viver a intensidade das cores e a paz dos sons.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

CEGO

Cego de dia para ele não me ver,
Cego na noite para ela não me conter,
Cego quando me conduzo sem sentido,
Cego quando chego perdido.
Cego quando olho mas não vejo,
Cego quando no escuro espero um beijo,
Cego quando no silêncio não ouço nada,
Cego quando do dia se faz madrugada.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

DESPIDO

Sem me importar com os factos que me despem,
Despojo-me de pudores e outros tantos factores.
Entrego-me em teus braços nos locais ausentes,
Que de tão presentes me sentirem viver,
Me largam sobre o manto da noite,
Que encobre e descobre o sentido a levar,
Pelos passos que dou, pelo padecer do olhar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

CORPOS GELADOS

Corpos gelados estes que agora nos vivem,
Curta brisa que os acompanha e olha,
Para o Sol que brilha radiante bem alto,
Para o frio que nos deixa em sobressalto.
Cobrimo-los o mais que podemos,
Não olhando ao que possa vir à mão,
Frio este que nos cobre e gela,
Sobre o brilho e luz de um Sol de Verão.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

TUDO É POSSÍVEL

Neste mundo tudo é possível,
Atravessar o incerto, viver o incrível.
Olhar o amanhã sem que faça sentido,
Aguardar a resposta sem receio de castigo.
Caminhar sobre as horas sem sentir seu passar
Aguardar sentado a ver o dia acabar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

QUATRO ESTAÇÕES

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim.
A segunda é ver o Outono.
A terceira é o grave Inverno.
Em quarto lugar o Verão.
A quinta coisa são teus olhos.
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da Primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

domingo, 23 de novembro de 2008

VAGUEAR

Vagueio por aí. Sem destino nem ponto de partida, sem ponto de entrada nem ponto de saída. Dou-me a conhecer às entrelinhas que nunca ninguém lê. Pondero a verdade questiono o porquê. Exaspero no tempo que levita por cima de nossas cabeças, nos valores que sem pudores trocam seus lugares, com a mesma leveza de me perderes... com a mesma leveza de me encontrares.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

É A MINHA VIDA

É a minha vida a que me percorre neste momento,
É a minha vida o sangue que corre em minhas veias,
É a minha vida que me pausa no tempo,
É a minha vida a que respiro e me entrego.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

UM CONTO

Podia procurar o que no olhar não encontro podia desejar que a vida fosse filha de um conto. Imagino um velhote sentado, sobre seu livro debruçado a contar a história de sua vida distante que de tão inconstante que foi, quase que fazia de si um personagem sem nome. O cenário é frio numa sala pequena e funda. O calor emana de uma pequena fogueira, onde se ouve o estalar da madeira que o fogo consome. Todos nos sentamos a rodeá-lo, o que o faz sentir aconchegado pela atenção e solto no seu coração. A história é longa e os barcos à muito partiram no porto ancorado de sua vida. Mas nossos ouvidos atentos ficarão despertos para sua história comprida. A vida que encontro na história de um conto.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

LUTA DESENFREADA

Neste mundo que não é de ninguém, a luta é desenfreada. Sem limites, sem procuras do pequeno nada, que no momento não faz sentido, mas que no futuro pode fazer a diferença entre a calma e o desespero, entre o alívio e o medo. Levantar o rosto é importante dar a outra face, quando a que te olha já não faz sentido. Dou-te a mão para evitares o perigo da luta desenfreada que de tão pouco, te garanto que não vale nada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

TRANQUILIDADE PÚBLICA

"........................................................................."

domingo, 16 de novembro de 2008

PERFIL

Adivinhavam-se dias complicados, onde o todo se iria repartir por bocados. Não sabia os que guardar, não sabia os que reter. Apenas consegui apanhar alguns, apenas aqueles que por entre a confusão consegui ver. Tentei juntá-los, dar-lhes algum sentido. Jamais seria fácil. Mas um desafio é sempre bem-vindo. Muitas das cores não combinavam, muitas das formas não uniam na perfeição. Mas apenas com algumas peças consegui deslumbrar o perfil de teu rosto, o desenho da união.

CUMPLICIDADE

Quem não gosta de sentir o silêncio quando a cumplicidade invade uma troca de olhares. Quem não se sente cúmplice se o olhar se fechar e se oferecer na forma de um beijo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

LUA CHEIA

Hoje quando saía do trabalho, vi em meu horizonte, algo de uma beleza sem igual. Era grande... enorme, cheia, e de cor tão intensa que difícil era passar e não dar pela sua presença. Tão redonda e perfeita que parecia que tinha sido criada para do céu vir tocar o chão. Não me contive e tive de a partilhar, tal beleza não podia ser perdida. Pois não foi pedida e jamais pensada, por isso beleza igual, só voltaremos a ver, quando do céu cair a noite, e outra lua se oferecer.

RELÓGIO

A vida é feita de ideias, construções, sonhos e emoções. Roda viva, roda dentada, que de tão encaixada, gira sem fim! Parece coração de relógio certo. Pequena máquina de precisão. Onde passam as horas das nossas vidas, esperas perdidas... momentos conquistados... desejos entrelaçados. Uma vida ao alcance da nossa mão, pois apenas no presente se vive a verdade e do passado apenas se guarda a saudade.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

CRIANÇA

Debruçado sobre a janela, olho as pessoas a passarem em passo apressado, para mais um dia agitado. Cheio de turbilhões, que de tantas confusões e outras tantas questões, quase que se pode dizer que vai acabar cansado. A agitação lá fora é uma azáfama sem fim e os carros fazem um frenesim. Encolho meus ombros e fecho a janela, tomo o meu leite, beijo minha mãe, pego na sacola e salto para o mundo agitado, que para mim criança, até parece pecado. Vou para o meu mundo que de tão pequeno que ainda é, todos me chamam de "garnisé". Termo engraçado para fraca figura, que sorridente distribui amizade, sem excluir ninguém, preservando a igualdade daqueles que são meus irmãos de brincadeiras.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

ABSTRACTO

Cruzei as ideias que levitavam em minha mente,
Alimentei o raciocínio e como que num antro de perdição,
Conquistei as palavras que o comum dos mortais não sente,
Mas que pensa, reflecte e planta em si o acto de abstracção.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

DISSERTAR

Gostava de soprar aos sete ventos,
Voar sobre a noite escura,
Cobrir o céu de alento,
Afastar sentimentos de agrura.
Identificar as estrelas na palma da minha mão,
Girando o Mundo sem qualquer dissertação.

sábado, 8 de novembro de 2008

DESEMBARCO

Desembarco em mim tudo aquilo sonho,
Na doca em bom porto, num canto do mundo.
Descanso meus olhos no horizonte do mar,
Onde naveguei perdido onde não pude aportar.
Nas ondas me encontro quando se deitam na areia,
Onde sonho e imagino um mundo divino,
Teu doce olhar, teu encantar de sereia.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

NAVEGAR NA VIDA

Momento especial aquele em que nos conhecemos,
Em que nos entregámos e nos perdemos,
Nos momentos felizes em que sorrimos e nos demos.
Para mais tarde nos agarrarmos e procurarmos,
Em momentos perdidos, aqueles em que não nos encontrámos,
Nos momentos em que fomos barco e na vida navegámos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

NUNCA

Nunca ninguém ouviu o que tinha para dizer.
Nunca ninguém sentiu o que existia para viver.
Nunca ninguém perguntou o que se iria passar,
O que sempre se viu o que nunca teve lugar.
Pergunto-me por vezes onde estou e o que aqui faço,
Mas estou aqui para viver e saborear o abraço.
Procuro na vida encontrar tudo o que faça sentido,
Mas neste puzzle que monto nem sempre tenho abrigo.
Por isso caminho e encontro o que nunca pensei,
A razão de existir sobre o valor que sempre amei.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

RUMO

Nascemos numa vida de um só sentido. Podemos tentar abrandá-la, conquistá-la, vivê-la mas nunca apagá-la. Nela tudo se regista. Os nossos passos, os beijos e abraços. As palavras, as acções, as tristezas e as desilusões. Não existe marcha-atrás, não existe uma segunda hipótese. Viver e acreditar que o rumo pode mudar, estará sempre em nosso horizonte. Amar e perdoar será sempre o desejado, mas não me cabe apenas a mim definir o caminho por esse lado. Abraço o belo das palavras, esqueço as tristes e todas as outras mágoas. Prefiro lembrar o momento onde o sorriso se fez em mim vida e onde a vida se fez em mim palavras. Pois apenas conseguimos mudar e tocar o rumo do presente e não do passado.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

ÁGUA

Doce aquela que cai dos céus, neste Inverno que acolhemos. Serena sua melodia quando corre nos leitos, se lança de suas cascatas ou apenas quando cobre nossas mãos. Fecho meus olhos e ouço o entoar de seus movimentos. Calma a alma que a ouve com atenção, suave o toque que ilude a razão. Quem não se deslumbra ao ver sua dança nas ondas do mar, quem não vive o seu terno deslizar? Seria areia em praia deserta ou cascata em zona incerta apenas para junto dela viver, e sentido dizer que rio na corrente sem fim, viva... maré de mim.

sábado, 1 de novembro de 2008

TÉNUE LINHA

É ténue a linha que separa a pergunta da resposta, a união da separação, o sorriso de uma lágrima, as palavras de meus lábios e a noite do sonho. Por isso abraço essa mesma linha, com cuidado, para a única coisa que quebrar seja o acordar para mais um dia. Onde a vida acontece lá fora, onde vivo e percorro todos os caminhos que a mim se oferecem. Aceito-os de coração aberto, pois o único risco é o de me perder e não me encontrar o de viver sem perguntar.