segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

PEÇA SURDA

Nem sempre o ilusório alimenta a história,
Molda a personagem em noite inglória,
Enche o palco e alimenta o público,
Entre aplausos mudos e apupos surdos.
Cai o pano em silêncios desertos,
Esconde a vergonha de olhares indiscretos,
Num debruçar de corpo em sentimento frio,
Em bastidor despido, sem cor e vazio.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CONVERSAS PERDIDAS

Nem sempre se consegue esquecer,
Conversas perdidas que não vimos nascer.
Renascem de cinzas de outras vidas queimadas,
Quebram vontades outrora sequestradas.
Enaltecem murmúrios que nos entram no ouvido,
Sussurram no tempo o silêncio perdido.

São milhares as que se fazem ouvir,
Outras tantas que no tempo deixaram de existir.
Reduziram-se à insignificância de uma vida contada,
Em história turva pelo silêncio quebrada.
Redimiram-se, sem saber, num papel principal,
Outrora esquecidas por um mundo desigual.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

FACES

Faces estas que se confrontam num espaço invulgar,
Rostos incompletos, distantes, lançados à sorte e ao azar.
Perversos, inconstantes, distorcidos, errantes,
Que por entre fios de cabelo negros desencontram olhares cessantes.
Criou-se um espaço onde não nos encontramos,
Onde não faz sentido coexistir com distorções perdidas.
Criou-se na procura a face da mentira e num espaço invulgar,
Todos aqueles minutos de inúmeras vidas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

FORA DE CENA

Inquestionável sede de conquista que se impõe em horizonte ausente,
Que distorce a voz e disturba um passado presente.
Que nos entope de insensatez em exacerbados toques de malvadez,
Por imagens nem sempre nítidas às mãos de quem as fez.
Ausentes de cores e de tons densos que se perdem em curioso olhar,
Entre cenários perdidos daqueles que nunca os quiseram encontrar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

GRITOS

Todos resistimos à história por entre gritos de vitória,
Exaustos gestos ambíguos, cegos, vazios, crentes,
Que por entre traços ausentes em destinos pardacentos,
Nos preenche por dentro a realidade ilusória,
Sempre resistente à história de tais gritos ocos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

MARÉ BAIXA

Por entre a fina areia que as marés nos trazem,
Perpetuam histórias que nos amarguram,
Distorcem o caminho das ondas que jazem,
Em terno leito onde lágrimas recuam.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

SÍTIO SEM LUGAR

Sem saber esquecer não se preocupou em procurar,
Tudo aquilo que se fez ver num sítio sem lugar.
Por entre desalinhados caminhos escuros,
Em vívidas viagens sem destinos,
Procura-se o que nunca soubemos que existe,
Em quente abraço vespertino.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

SEM TOM

Monocórdico uivar que por entre a noite ecoa,
Monocromático olhar que cego não vê à toa,
Sincronismos sórdidos que por entre o negro perdoa,
As palavras ocas que sem sentido se soltam.

sábado, 6 de junho de 2009

PORQUE NÃO?

É exaustivo o processo que por entre os dedos se arrasta,
É remissiva a vitória que por fora de nós se desgasta,
São agressivas as palavras com que esgrimas e contrastas,
Na memória que não reza a história só por si nefasta.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

SEI DE...

Sei de palavras que se perderam no quente de teus lábios,
Sei de sonhos que se esvaneceram no pôr-do-sol de nosso dia,
Sei de lembranças que adormeceram no terno colo que te acolhe,
Sei de rios que desaguaram em mares de outras alegrias.
Sei de olhares que se cruzaram em céus distantes,
Sei de reflexos que se perderam em espelhos desencontrados,
Sei de histórias que se perderam em momentos errantes,
Por entre vidas quebradas em mil bocados.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

CONCORDÂNCIAS

É gratificante poder absorver a sabedoria que o momento nos dá quando bebe de nós a vida... em dias acordada, em noites adormecida.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

ÉS NOITE EM MINHAS MÃOS

Podíamos pernoitar sem saber o que a noite nos diz,
Olharíamos sem perguntar a peça onde o Lua é actriz.
Em tons distantes pintamos o céu de azul ausência,
Retomando em suas estrelas a cor do olhar vivência.

domingo, 10 de maio de 2009

ISENTAS SUSPEITAS

Subi ruas tortas em vidas paralelas,
Embustes cobertos por turvas janelas,
Opacos reflexos de iluminadas crenças,
Em noites vadias em perdidas presenças.
Fez-se luz em cantos escondidos,
Em ruas estreitas de corações partidos,
Sem saber nunca onde me irei desencontrar,
Em troca daquilo que me faz vaguear.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

SENTIDOS À DERIVA

Respiramos profundo sobre aquilo que pensamos,
Desejos intensos que nos mergulham perdidos,
Em sinais do tempo que não aprofundamos,
Sobre o toque em nossos corpos em cinco sentidos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

TUA IMAGEM

Calorosos abraços encurtam teus passos,
Em largo espaço de memória.
Recorto tua fotografia em momentos escassos,
De guarda em meus braços que dão luz à história.
Tua imagem perdura sem que a retoque em minha mente,
Não é a tua ausência que a torna presente,
Nem tua presença que a torna inglória.

terça-feira, 28 de abril de 2009

SONO

Inspiro ar fresco nesta estreita brecha que se abre no tempo que passa... asfixiam a minha memória com informação desnecessária, como se não existisse mais nenhum canal de informação que não eu. Audíveis são os meus bocejares aos incansáveis minutos que em mim se encurtam. Meus olhos pesam chumbo... e eu, quase como o meu afilhado, enfio os meus dedos lá dentro para não se fecharem.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

CÍRCULOS DE PRAZER

Giramos em círculos de prazer,
Em esferas dinâmicas de tentação,
Damos a corpos perfeitos o dever,
De vivermos perdidos na ilusão.
Formas estas que nos tomam sem hesitar,
No exílio que por vezes os nossos mundos apresentam,
Em papéis que não deixamos de representar,
Por mãos que nos agarram e fragmentam.

terça-feira, 21 de abril de 2009

PAZ & DESCANSO

Será demais pedir paz e descanso a preces de tal pranto,
Criações inviáveis de tribulações estáveis a outros creres,
A outras preces... que parece que não esqueces de dizer.
Rendilhados sabores que de tantas cores perdem-se no momento,
De infindável tempo que não para de passar,
E a todos aqueles que passa jamais temerei em perguntar,
Onde mora tal paz e descanso que por nós passa sem parar.

domingo, 19 de abril de 2009

VONTADES

Pintam-se vontades com cores de saudades,
A vida em tons de ser tão apetecida,
A procura em tons púrpura quentes,
Em pequenos detalhes de olhares ausentes.
Transparências que nos iludem,
Em crenças que em belos momentos surgem,
Que transportam o mais belo do passado,
Em futuros brilhantes e proeminentes.
Cores cristalinas de brilhos constantes,
Em ritmos batidos por movimentos hesitantes.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

DISSE QUE DISSE...

"Viver sem amar não é realmente viver."
Moliere

ANJO

Seria demais pedir-te meu anjo,
Transparentes aventuras de desfrute intenso,
Entre céus de tentação e desejos,
Criações pedidas de vidas vividas sem advento.
Os pedidos são mais que muitos sem fruto proibido,
Pois a tentação de cair sobre tal é mais que muita,
Mas para que crer em algo que não faz sentido,
É preciso amar de forma fortuita.
Mas tal acção não faz parte daquilo que vos peço,
Sentir sem razão não advém jamais de respostas inesperadas,
Mas em crer que nesta vida também tropeço,
Em ruas despidas de certezas inacabadas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

EM NOSSA MENTE

Em nossa mente vive um mundo,
Confuso, distante, solto e vagabundo,
Portentoso e galopante, sem travões ou hesitante.
Que consome de nosso corpo as energias,
Alimenta o sono em nossas noites,
O sorriso de nossos dias.

Em nossa mente vive a alma,
De quem toca e não pode desafinar,
Impetuosa orquestra de ideias e desafios,
Sons silenciosos de mestrias a olhar.
Como quem preenche no peito vazios,
De outras mentes a ocupar.

Painting by Glenn Ligon

segunda-feira, 13 de abril de 2009

FEITIÇO

Histórias imensas circulam pelas ruas perdidas,
Por muito apetecidas por quem constrói a noite sobre o dia.
Percorrem-se sem destino nem rumo como fio sem prumo,
Feitiço leve e vazio de quem, por pensamento, mil vezes atravessa o rio.
Sente-se a batalha da razão pelo segredo que esconde a ilusão,
Interna, imensa de repetida presença num mundo de tentação.
Deixa-se colorir com as mais variadas cores, tantas quantos os amores,
De quem pinta sem saber quantas cores a vida deve ter.

domingo, 12 de abril de 2009

DEI-TE A MÃO

Com minha mão apanhei tuas lágrimas,
Amparei teu corpo quando ele tombava,
Acariciei-te quando o prazer nos consumia,
Toquei tua pele quando teu beijo me amava.
Agarrei teu braço quando de mim fugias,
Toquei teu peito para sentir teu coração,
Senti por dentro tudo aquilo que me pedias,
Abracei o nosso amor com o toque da tua mão.

sábado, 11 de abril de 2009

DESEJOS SURDOS

Conotação negativa, esta, que da terra brota,
Sem quaisquer hipóteses de questionar o que a envolve,
Aponta-nos o caminho como defunta derrota,
Por entre rios certos abertos ao que a promove.
Abraça-nos em caminhos tortos de desejos surdos,
Em vias rápidas de pensamentos mudos,
Pois minhas mãos em seus gestos não constroem palavras.
Em segundos a respiração acelera por raios de visão,
De ausência transparente querida presença,
Que em tempos tocava teu rosto com minha mão,
Sem imaginar que da terra o tempo nasce e se reinventa.

TEMPOS

Neste mundo de loucos,
Que de certeza não são poucos.
Giramos à volta da esfera,
Atempadamente à espera,
Que dos tontos não se façam contos,
E da vida uma quimera.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

ESPAÇOS VIVOS

Desafiadores incrementos em portentosos tempos,
Deturpam realidades nem sempre determinantes.
Verdades inteligentes mas nunca cessantes,
De ambiciosas viagens por entre nublosos ventos.
Procura-se o abstraccionismo na presença que podemos ver,
Sem nunca deixar de sentir tudo aquilo que nos deixam crer.
Existes muito para além do que a minha mente pensa,
Em outras realidades muito mais fortes que a presença.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

TROCAS

Existiremos neste espaço para amar enquanto o amor existir nele para nos consumir.

terça-feira, 7 de abril de 2009

À TUA PORTA

Gira sobre ti um mundo que teu corpo exorta,
Cores mil de imensos lugares que moram à tua porta.
Aguardo um momento em que venhas à tua janela,
Para ver teu sorriso na pureza de uma aguarela.
Teus sentidos vivem em alerta pela minha presença,
Mas ela só existirá quando fizer sentido poder ser intensa.

domingo, 5 de abril de 2009

TELA

Existirá mais bela tela do que aquela simples e singela que tua imagem permite.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

SINGELEZA

Alma pequena esta que agora serena flui pelo espelho da verdade. Jamais desmentida pela representação efémera de outro mundo de divindade. Toco teus cabelos em curta pausa de pensamento. Num flash ilusório de realidade em ávido momento. Cerro em meu peito o que vive e não se liberta como casa de janela aberta. Mas por que razão sairia tal sentimento verdadeiro? Se em mim encontrou canto acolhedor. Onde viveu a alegria da vida e a tristeza da dor.

RETORNO

Retornados aqueles que tudo perderam,
Em mundos exilados de vidas extensas,
Opulências e divindades propensas,
A sofredores de outras verdades,
Que de seus olhos vendados,
Jamais cegaram à dor das saudades.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

AMBIENTES

De cores pastel em ambientes gelados,
Criam-se tons serenos em sons pintados.
Ouvem-se gestos que embalam o olhar,
Para cores perdidas sem saber que pintar.
Fotografias esquecidas de rostos estáticos,
De linhas retorcidas vivas em sabores sintomáticos.
Sonhos soltos em linhas rectas perpendiculares,
Adivinham novos espaços reproduzidos,
Por criações distantes em outros lugares.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

SABES QUE...

Sabes tu a razão da chuva em Junho ou do calor em Dezembro,
Das luas cheias em mar de estrelas ou do escuro em dias cinzentos.
Sabes porque olho em teus olhos para tentar ver teu sorriso,
Ou porque te dou a mão quando é um abraço o que preciso.
Sabes o que custa, quando chegas, te ver e quando partes te perder,
Do vazio que fica não te ter a meu lado quando te falar é pecado.
Sabes a resposta para este constante relógio sem destino,
Quando afinal valemos tão pouco num mundo tão pequenino.

terça-feira, 31 de março de 2009

VIA RÁPIDA

As horas que antecedem todos os minutos que nos ultrapassam,
São como vias rápidas infinitas para um mundo de espectáculo.
Surpresas constantes em pensamentos hesitantes de ideias.
Nesta mente que nocturna fraqueja criam-se mutantes adormecidos,
Que perdidos vagueiam nesta ponte, nunca só, de sentidos.

segunda-feira, 30 de março de 2009

ACOLHIDO PELA MELODIA

Por vezes é mais fácil pedir do que conquistar,
Estender-te a mão do que te poder beijar.
Olhar em teus doces olhos e tomar deles a serenidade,
Ser acolhido em teus ternos braços e saciar a saudade.
Tenho sido parco nas palavras que aqui escrevo,
Parco nas palavras que em mim penso,
Preenchido nos minutos que me têm consumido,
Saciado na melodia que me envolve perdido.

quinta-feira, 26 de março de 2009

DIZ QUE DISSE...

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
Fernando Pessoa

quarta-feira, 25 de março de 2009

SILENCIOSO SEGREDAR

Silêncio aquele que ouço segredar no escuro da noite,
Ouço as estrelas a comunicar entre elas,
Conspiram contra a enorme luz que a Lua emana.
Tão feia a inveja de quem vive debaixo do mesmo tecto,
Triste sina de quem não teve a culpa de nascer bonita.
Escuras seriam as ruas nestas noites,
Luminoso é o seu olhar perante nossos passos.
Redonda contêm o seu respirar,
Para não acordar o que dorme em meus braços.

terça-feira, 24 de março de 2009

LEGADO

Concentração e inspiração acompanham o meu legado,
Difuso testamento de quem faz de si canal para um recado.
Obsoleto o pensamento que transporta em si a história,
Pois dos tristes e derrotados a mesma não os retrata,
Põe-os à beira do prato como seres incómodos,
Em noite de festa rodeada de vozes... em mesa farta.

segunda-feira, 23 de março de 2009

ALMA

Em todos os mundos existe o pecado,
Por vezes mais longe quiçá na porta ao lado.
Desinteressante ou encantador,
Manifestamente desafiante sem reservas à dor.
Incendeia a chama de nosso olhar,
Transforma nossas formas em pó dourado,
Contadores de histórias de encantar,
Viva alma em corpo usado.

domingo, 22 de março de 2009

PHOTOS

Grandes são os pedidos que vivem à porta de quem os sonha, sonhos vividos por desejos apetecidos da vida fotografada em instantes. Enormes manchas de cor preta e branca em pequenos tons de cinza. O laranja alimenta o fundo de terno leito, seu toque de cetim acondiciona meu corpo na tela que para mim criaste. Ingrato a recebi com desdém de quem acha que tudo tem, mas pouco é o que vive em minhas mãos. Arte de quem pouco pinta no espaço que ficou sem perdão. Existe uma música que marcou um início que sonhei sem fim, mas que às minhas mãos matei sem o sabor que a Deus pedi.

sábado, 21 de março de 2009

DIZ QUE DISSE...

"A roupa mais bela que pode vestir uma mulher são os braços do homem que ama"
YSL

quinta-feira, 19 de março de 2009

PONTO FINAL

Na puta desta vida, lutamos por sermos melhores, por fazermos todos felizes. Por amarmos. Dedicamo-nos ao trabalho, por vezes mais, do que às pessoas que realmente amamos. Concretizamos sonhos, realizamos desejos. Rimos... choramos. Passamos pelo tempo como ele passa por nós. Temos direito a tudo e tudo tem direito a nos ter também. Mas como algumas frases, a vida também trás consigo um ponto final. Descanse em paz.

quarta-feira, 18 de março de 2009

NÚMEROS

Existem formas de procurar que nos procuram,
Quando na procura estamos perdidos sem contar.
Somos apenas números em folhas soltas que voam da mesa,
Partituras alfanuméricas nos momentos quebrados,
Vivências ocultas de infinitos seres alados.

terça-feira, 17 de março de 2009

DOCES VENENOS

Preparados ou não, ela está aí para todos vermos.
Absorve-nos com seus trejeitos doces de doces venenos.
Sem prever seus movimentos irá nos encontrar,
Beber de nossos lábios o que possamos dizer,
Tomar de sua posse o que dizemos sem querer.
É difícil lhe resistir... pois da força se perde a voz,
E quando sentimos que nada parte... estamos sós.

AURORA

Fazia-se ouvir lá fora o som resplandecente da aurora,
Nada se fazia prever nem se previa que nada pudesse acontecer,
Nascer de manhã calma, cor de paz em paz de alma.
Ergo meus braços para o céu em prolongado espreguiçar,
Enquanto lá fora já ouço a pequena Ísis miar.
Faz-se dia em serena harmonia de vida penetrante,
Sem se saber o futuro presente do minuto cessante.

quinta-feira, 12 de março de 2009

SE ME VEM TANTA GLÓRIA SÓ DE OLHAR-TE

Se me vem tanta glória só de olhar-te,
É pena desigual deixar de ver-te;
Se presumo com obras merecer-te,
Grão paga de um engano é desejar-te.
Se aspiro por quem és a celebrar-te,
Sei certo por quem sou que hei-de ofender-te;
Se mal me quero a mim por bem querer-te,
Que prémio querer posso mais que amar-te?
Porque um tão raro amor não me socorre?
Ó humano tesouro! Ó doce glória!
Ditoso quem à morte por ti corre!
Sempre escrita estarás nesta memória;
E esta alma viverá, pois por ti morre,
Porque ao fim da batalha é a vitória.
Luís de Camões

quarta-feira, 11 de março de 2009

EXTREMOS

Puxamos até aos extremos os desejos que ambos queremos,
Agarramos as pontas da corda até se partir de já estar tão quebrada,
Não do uso que lhe demos mas sim da vida que perdemos.
Infinitos momentos aqueles em que a intensidade nos ultrapassa,
Os segundos e os minutos valem horas nas mãos de quem os guarda,
Pois mesmo que fujam jamais voltaram a viver de novo,
Não neste tempo que agora passa nem num futuro que não os quer.
Mas serão a base de onde saltamos para este imenso nada,
Que não tem forma, nem cor… nome ou designação,
Não se procura nem se encontra no mundo das palavras,
Que apenas fará sentido se do sentido soubermos retirar a razão.

terça-feira, 10 de março de 2009

SOLTAS

É bom que sejamos fortes para o que o inesperado nos reserva,
Abrirmos nossos braços à esperança que nos alcança,
Fecharmos nosso rosto ao desgosto que nos menospreza.
Todos os caminhos foram construídos com saídas,
Umas mais distantes e profundas para quem as procura,
Outras fáceis a realidades que nosso olhar não cura.
Este poderá ser sempre o último dos primeiros que se transcende,
Para quem a riqueza vale tão pouco e da pobreza se desprende.

segunda-feira, 9 de março de 2009

REGRESSO

Não é fácil separamos a alma do nosso corpo,
Quando ela nos vive dia-a-dia sem nunca nos questionar.
Calhará um dia num acaso nos desencontrarmos,
Será que ela saberá após se perder nos voltar a encontrar.
Estes caminhos são propícios a perdas incertas,
A vivências por vezes encobertas por finas pétalas de rosa,
Que de toque aveludado nos envolvem em ambiente apaixonado,
Sereno... feito de linhas rectas e outras tantas tortas,
Mas saberá um dia, a alma, voltar a bater em nossas portas.

domingo, 8 de março de 2009

PROXIMIDADES

Será que temos mesmo de ver o que se passa,
Quando a luz nos cega incessantemente.
Retirarmos de nosso corpo a espada que nos trespassa,
Sem que com qualquer som mostres dor ausente.
São passos o que ouço fugir de perto de mim,
Pois ainda consigo ouvir o que de perto me acompanha.
Sem saber quem se aproxima, à sua ajuda digo que sim,
Pois por alguma razão esta terna voz me apanha.