terça-feira, 31 de março de 2009

VIA RÁPIDA

As horas que antecedem todos os minutos que nos ultrapassam,
São como vias rápidas infinitas para um mundo de espectáculo.
Surpresas constantes em pensamentos hesitantes de ideias.
Nesta mente que nocturna fraqueja criam-se mutantes adormecidos,
Que perdidos vagueiam nesta ponte, nunca só, de sentidos.

segunda-feira, 30 de março de 2009

ACOLHIDO PELA MELODIA

Por vezes é mais fácil pedir do que conquistar,
Estender-te a mão do que te poder beijar.
Olhar em teus doces olhos e tomar deles a serenidade,
Ser acolhido em teus ternos braços e saciar a saudade.
Tenho sido parco nas palavras que aqui escrevo,
Parco nas palavras que em mim penso,
Preenchido nos minutos que me têm consumido,
Saciado na melodia que me envolve perdido.

quinta-feira, 26 de março de 2009

DIZ QUE DISSE...

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
Fernando Pessoa

quarta-feira, 25 de março de 2009

SILENCIOSO SEGREDAR

Silêncio aquele que ouço segredar no escuro da noite,
Ouço as estrelas a comunicar entre elas,
Conspiram contra a enorme luz que a Lua emana.
Tão feia a inveja de quem vive debaixo do mesmo tecto,
Triste sina de quem não teve a culpa de nascer bonita.
Escuras seriam as ruas nestas noites,
Luminoso é o seu olhar perante nossos passos.
Redonda contêm o seu respirar,
Para não acordar o que dorme em meus braços.

terça-feira, 24 de março de 2009

LEGADO

Concentração e inspiração acompanham o meu legado,
Difuso testamento de quem faz de si canal para um recado.
Obsoleto o pensamento que transporta em si a história,
Pois dos tristes e derrotados a mesma não os retrata,
Põe-os à beira do prato como seres incómodos,
Em noite de festa rodeada de vozes... em mesa farta.

segunda-feira, 23 de março de 2009

ALMA

Em todos os mundos existe o pecado,
Por vezes mais longe quiçá na porta ao lado.
Desinteressante ou encantador,
Manifestamente desafiante sem reservas à dor.
Incendeia a chama de nosso olhar,
Transforma nossas formas em pó dourado,
Contadores de histórias de encantar,
Viva alma em corpo usado.

domingo, 22 de março de 2009

PHOTOS

Grandes são os pedidos que vivem à porta de quem os sonha, sonhos vividos por desejos apetecidos da vida fotografada em instantes. Enormes manchas de cor preta e branca em pequenos tons de cinza. O laranja alimenta o fundo de terno leito, seu toque de cetim acondiciona meu corpo na tela que para mim criaste. Ingrato a recebi com desdém de quem acha que tudo tem, mas pouco é o que vive em minhas mãos. Arte de quem pouco pinta no espaço que ficou sem perdão. Existe uma música que marcou um início que sonhei sem fim, mas que às minhas mãos matei sem o sabor que a Deus pedi.

sábado, 21 de março de 2009

DIZ QUE DISSE...

"A roupa mais bela que pode vestir uma mulher são os braços do homem que ama"
YSL

quinta-feira, 19 de março de 2009

PONTO FINAL

Na puta desta vida, lutamos por sermos melhores, por fazermos todos felizes. Por amarmos. Dedicamo-nos ao trabalho, por vezes mais, do que às pessoas que realmente amamos. Concretizamos sonhos, realizamos desejos. Rimos... choramos. Passamos pelo tempo como ele passa por nós. Temos direito a tudo e tudo tem direito a nos ter também. Mas como algumas frases, a vida também trás consigo um ponto final. Descanse em paz.

quarta-feira, 18 de março de 2009

NÚMEROS

Existem formas de procurar que nos procuram,
Quando na procura estamos perdidos sem contar.
Somos apenas números em folhas soltas que voam da mesa,
Partituras alfanuméricas nos momentos quebrados,
Vivências ocultas de infinitos seres alados.

terça-feira, 17 de março de 2009

DOCES VENENOS

Preparados ou não, ela está aí para todos vermos.
Absorve-nos com seus trejeitos doces de doces venenos.
Sem prever seus movimentos irá nos encontrar,
Beber de nossos lábios o que possamos dizer,
Tomar de sua posse o que dizemos sem querer.
É difícil lhe resistir... pois da força se perde a voz,
E quando sentimos que nada parte... estamos sós.

AURORA

Fazia-se ouvir lá fora o som resplandecente da aurora,
Nada se fazia prever nem se previa que nada pudesse acontecer,
Nascer de manhã calma, cor de paz em paz de alma.
Ergo meus braços para o céu em prolongado espreguiçar,
Enquanto lá fora já ouço a pequena Ísis miar.
Faz-se dia em serena harmonia de vida penetrante,
Sem se saber o futuro presente do minuto cessante.

quinta-feira, 12 de março de 2009

SE ME VEM TANTA GLÓRIA SÓ DE OLHAR-TE

Se me vem tanta glória só de olhar-te,
É pena desigual deixar de ver-te;
Se presumo com obras merecer-te,
Grão paga de um engano é desejar-te.
Se aspiro por quem és a celebrar-te,
Sei certo por quem sou que hei-de ofender-te;
Se mal me quero a mim por bem querer-te,
Que prémio querer posso mais que amar-te?
Porque um tão raro amor não me socorre?
Ó humano tesouro! Ó doce glória!
Ditoso quem à morte por ti corre!
Sempre escrita estarás nesta memória;
E esta alma viverá, pois por ti morre,
Porque ao fim da batalha é a vitória.
Luís de Camões

quarta-feira, 11 de março de 2009

EXTREMOS

Puxamos até aos extremos os desejos que ambos queremos,
Agarramos as pontas da corda até se partir de já estar tão quebrada,
Não do uso que lhe demos mas sim da vida que perdemos.
Infinitos momentos aqueles em que a intensidade nos ultrapassa,
Os segundos e os minutos valem horas nas mãos de quem os guarda,
Pois mesmo que fujam jamais voltaram a viver de novo,
Não neste tempo que agora passa nem num futuro que não os quer.
Mas serão a base de onde saltamos para este imenso nada,
Que não tem forma, nem cor… nome ou designação,
Não se procura nem se encontra no mundo das palavras,
Que apenas fará sentido se do sentido soubermos retirar a razão.

terça-feira, 10 de março de 2009

SOLTAS

É bom que sejamos fortes para o que o inesperado nos reserva,
Abrirmos nossos braços à esperança que nos alcança,
Fecharmos nosso rosto ao desgosto que nos menospreza.
Todos os caminhos foram construídos com saídas,
Umas mais distantes e profundas para quem as procura,
Outras fáceis a realidades que nosso olhar não cura.
Este poderá ser sempre o último dos primeiros que se transcende,
Para quem a riqueza vale tão pouco e da pobreza se desprende.

segunda-feira, 9 de março de 2009

REGRESSO

Não é fácil separamos a alma do nosso corpo,
Quando ela nos vive dia-a-dia sem nunca nos questionar.
Calhará um dia num acaso nos desencontrarmos,
Será que ela saberá após se perder nos voltar a encontrar.
Estes caminhos são propícios a perdas incertas,
A vivências por vezes encobertas por finas pétalas de rosa,
Que de toque aveludado nos envolvem em ambiente apaixonado,
Sereno... feito de linhas rectas e outras tantas tortas,
Mas saberá um dia, a alma, voltar a bater em nossas portas.

domingo, 8 de março de 2009

PROXIMIDADES

Será que temos mesmo de ver o que se passa,
Quando a luz nos cega incessantemente.
Retirarmos de nosso corpo a espada que nos trespassa,
Sem que com qualquer som mostres dor ausente.
São passos o que ouço fugir de perto de mim,
Pois ainda consigo ouvir o que de perto me acompanha.
Sem saber quem se aproxima, à sua ajuda digo que sim,
Pois por alguma razão esta terna voz me apanha.

MENTES CRIATIVAS

É doce a cor com que sopras ao vento,
Com que desenhas pequenas páginas da tua moleskine.
Preenches páginas com a alegria e o desalento,
Em fortes traços dos desenhos que teu perfil define.
Esculpes nele a imagem do teu fiel parceiro,
Perdido nos confins da tua mala,
Por detrás de um mundo inteiro ou apenas ausente,
Nos minutos em que nossa mente resvala.

quinta-feira, 5 de março de 2009

PEQUENOS NADAS

Será sempre difícil de achar tudo aquilo que não perdemos,
Como será curioso encontrar algo nosso que não concebemos.
Pensamentos desafogados quebrados em mil bocados,
Pedaços de sentimento desfraldados ao vento,
Como bandeira hasteada em pequenos pedaços de nada.
Vivências fingidas em almas apetecidas sedentas de vida,
Por vezes mais frustradas que conseguidas,
Ausentes de seus pensamentos mas realizadas em momentos.
Máquinas exactas como relógios perfeitos,
Que de pequenos sorrisos trazem a si o melhor dos nossos feitos.

OUTRO LADO

Está alguém desse lado para ouvir o que tenho para dizer?
No mesmo tempo no mesmo instante, mesmo que distante.
Sem ausências de pensamento fiéis ao seu advento,
Realizadores de ideias, leitores de inúmeras baboseiras,
Críticos das palavras, tanto das doce como das amargas,
Anónimos indiscretos ou curiosos perpétuos.
Está alguém do outro lado?

terça-feira, 3 de março de 2009

MAR INSÍPIDO

Sem saber em que cair, deixei-me levar por fortes correntes. Apertavam meus braços que entre fortes amassos, me traziam à tona. Pouco era o tempo que tinha para respirar, pois as vagas eram enormes e as minhas mãos estavam fracas de lutar. Lembro-me apenas do azul do fundo do mar... era insípido. Não sei se da ausência do sal ou da minha concentração em não me deixar sufocar pelo intenso calor. Acordo em quentes areias. A minha cabeça parece que vai explodir... do cansaço de não desistir, da turbulência de agitado mar. Não sei onde estou, nem que tal exótico destino me pode trazer. Mas confusão espero que não seja... pois após tamanha luta e o que tenho visto apenas me basta viver.

segunda-feira, 2 de março de 2009

EVASÕES

Evasões incorpóreas de estreito profundo,
Demonstram todo o seu esplendor no desnudar do mundo.
Numa divina comédia sem conotação irrisória,
Recolhem-nos as mesmas evasões em seu regaço de glória.
Estendem-se as palavras pelo arrepio que se sente na pele,
Abrem-se livros perante teu olhar cor do céu,
Estudam-se vidas pintadas a pincel,
Em telas gigantes que tocam teu corpo e o meu.

domingo, 1 de março de 2009

SENTIMENTO DE IMPOTÊNCIA

Que maior sentimento de impotência existirá, do que aquele em que não podemos das palavras criar acções e dos desejos realidades. Onde das perguntas já sabemos as respostas e onde as verdades em que não queremos acreditar já à muito estão expostas.

DEVANEIOS

É insensato poder crer em tudo aquilo que desacreditamos,
Poder viver e amar todos aqueles que sem saber largamos.
Ver o horizonte da espera sem saber se tem sentido ele existir,
Perder todo o ouro de uma quimera tão pobre por sorrir.
Que sentido teria enriquecer o exterior com dolos,
Quando por dentro é pobre este mundo de devaneios tolos.