quarta-feira, 29 de abril de 2009

TUA IMAGEM

Calorosos abraços encurtam teus passos,
Em largo espaço de memória.
Recorto tua fotografia em momentos escassos,
De guarda em meus braços que dão luz à história.
Tua imagem perdura sem que a retoque em minha mente,
Não é a tua ausência que a torna presente,
Nem tua presença que a torna inglória.

terça-feira, 28 de abril de 2009

SONO

Inspiro ar fresco nesta estreita brecha que se abre no tempo que passa... asfixiam a minha memória com informação desnecessária, como se não existisse mais nenhum canal de informação que não eu. Audíveis são os meus bocejares aos incansáveis minutos que em mim se encurtam. Meus olhos pesam chumbo... e eu, quase como o meu afilhado, enfio os meus dedos lá dentro para não se fecharem.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

CÍRCULOS DE PRAZER

Giramos em círculos de prazer,
Em esferas dinâmicas de tentação,
Damos a corpos perfeitos o dever,
De vivermos perdidos na ilusão.
Formas estas que nos tomam sem hesitar,
No exílio que por vezes os nossos mundos apresentam,
Em papéis que não deixamos de representar,
Por mãos que nos agarram e fragmentam.

terça-feira, 21 de abril de 2009

PAZ & DESCANSO

Será demais pedir paz e descanso a preces de tal pranto,
Criações inviáveis de tribulações estáveis a outros creres,
A outras preces... que parece que não esqueces de dizer.
Rendilhados sabores que de tantas cores perdem-se no momento,
De infindável tempo que não para de passar,
E a todos aqueles que passa jamais temerei em perguntar,
Onde mora tal paz e descanso que por nós passa sem parar.

domingo, 19 de abril de 2009

VONTADES

Pintam-se vontades com cores de saudades,
A vida em tons de ser tão apetecida,
A procura em tons púrpura quentes,
Em pequenos detalhes de olhares ausentes.
Transparências que nos iludem,
Em crenças que em belos momentos surgem,
Que transportam o mais belo do passado,
Em futuros brilhantes e proeminentes.
Cores cristalinas de brilhos constantes,
Em ritmos batidos por movimentos hesitantes.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

DISSE QUE DISSE...

"Viver sem amar não é realmente viver."
Moliere

ANJO

Seria demais pedir-te meu anjo,
Transparentes aventuras de desfrute intenso,
Entre céus de tentação e desejos,
Criações pedidas de vidas vividas sem advento.
Os pedidos são mais que muitos sem fruto proibido,
Pois a tentação de cair sobre tal é mais que muita,
Mas para que crer em algo que não faz sentido,
É preciso amar de forma fortuita.
Mas tal acção não faz parte daquilo que vos peço,
Sentir sem razão não advém jamais de respostas inesperadas,
Mas em crer que nesta vida também tropeço,
Em ruas despidas de certezas inacabadas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

EM NOSSA MENTE

Em nossa mente vive um mundo,
Confuso, distante, solto e vagabundo,
Portentoso e galopante, sem travões ou hesitante.
Que consome de nosso corpo as energias,
Alimenta o sono em nossas noites,
O sorriso de nossos dias.

Em nossa mente vive a alma,
De quem toca e não pode desafinar,
Impetuosa orquestra de ideias e desafios,
Sons silenciosos de mestrias a olhar.
Como quem preenche no peito vazios,
De outras mentes a ocupar.

Painting by Glenn Ligon

segunda-feira, 13 de abril de 2009

FEITIÇO

Histórias imensas circulam pelas ruas perdidas,
Por muito apetecidas por quem constrói a noite sobre o dia.
Percorrem-se sem destino nem rumo como fio sem prumo,
Feitiço leve e vazio de quem, por pensamento, mil vezes atravessa o rio.
Sente-se a batalha da razão pelo segredo que esconde a ilusão,
Interna, imensa de repetida presença num mundo de tentação.
Deixa-se colorir com as mais variadas cores, tantas quantos os amores,
De quem pinta sem saber quantas cores a vida deve ter.

domingo, 12 de abril de 2009

DEI-TE A MÃO

Com minha mão apanhei tuas lágrimas,
Amparei teu corpo quando ele tombava,
Acariciei-te quando o prazer nos consumia,
Toquei tua pele quando teu beijo me amava.
Agarrei teu braço quando de mim fugias,
Toquei teu peito para sentir teu coração,
Senti por dentro tudo aquilo que me pedias,
Abracei o nosso amor com o toque da tua mão.

sábado, 11 de abril de 2009

DESEJOS SURDOS

Conotação negativa, esta, que da terra brota,
Sem quaisquer hipóteses de questionar o que a envolve,
Aponta-nos o caminho como defunta derrota,
Por entre rios certos abertos ao que a promove.
Abraça-nos em caminhos tortos de desejos surdos,
Em vias rápidas de pensamentos mudos,
Pois minhas mãos em seus gestos não constroem palavras.
Em segundos a respiração acelera por raios de visão,
De ausência transparente querida presença,
Que em tempos tocava teu rosto com minha mão,
Sem imaginar que da terra o tempo nasce e se reinventa.

TEMPOS

Neste mundo de loucos,
Que de certeza não são poucos.
Giramos à volta da esfera,
Atempadamente à espera,
Que dos tontos não se façam contos,
E da vida uma quimera.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

ESPAÇOS VIVOS

Desafiadores incrementos em portentosos tempos,
Deturpam realidades nem sempre determinantes.
Verdades inteligentes mas nunca cessantes,
De ambiciosas viagens por entre nublosos ventos.
Procura-se o abstraccionismo na presença que podemos ver,
Sem nunca deixar de sentir tudo aquilo que nos deixam crer.
Existes muito para além do que a minha mente pensa,
Em outras realidades muito mais fortes que a presença.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

TROCAS

Existiremos neste espaço para amar enquanto o amor existir nele para nos consumir.

terça-feira, 7 de abril de 2009

À TUA PORTA

Gira sobre ti um mundo que teu corpo exorta,
Cores mil de imensos lugares que moram à tua porta.
Aguardo um momento em que venhas à tua janela,
Para ver teu sorriso na pureza de uma aguarela.
Teus sentidos vivem em alerta pela minha presença,
Mas ela só existirá quando fizer sentido poder ser intensa.

domingo, 5 de abril de 2009

TELA

Existirá mais bela tela do que aquela simples e singela que tua imagem permite.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

SINGELEZA

Alma pequena esta que agora serena flui pelo espelho da verdade. Jamais desmentida pela representação efémera de outro mundo de divindade. Toco teus cabelos em curta pausa de pensamento. Num flash ilusório de realidade em ávido momento. Cerro em meu peito o que vive e não se liberta como casa de janela aberta. Mas por que razão sairia tal sentimento verdadeiro? Se em mim encontrou canto acolhedor. Onde viveu a alegria da vida e a tristeza da dor.

RETORNO

Retornados aqueles que tudo perderam,
Em mundos exilados de vidas extensas,
Opulências e divindades propensas,
A sofredores de outras verdades,
Que de seus olhos vendados,
Jamais cegaram à dor das saudades.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

AMBIENTES

De cores pastel em ambientes gelados,
Criam-se tons serenos em sons pintados.
Ouvem-se gestos que embalam o olhar,
Para cores perdidas sem saber que pintar.
Fotografias esquecidas de rostos estáticos,
De linhas retorcidas vivas em sabores sintomáticos.
Sonhos soltos em linhas rectas perpendiculares,
Adivinham novos espaços reproduzidos,
Por criações distantes em outros lugares.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

SABES QUE...

Sabes tu a razão da chuva em Junho ou do calor em Dezembro,
Das luas cheias em mar de estrelas ou do escuro em dias cinzentos.
Sabes porque olho em teus olhos para tentar ver teu sorriso,
Ou porque te dou a mão quando é um abraço o que preciso.
Sabes o que custa, quando chegas, te ver e quando partes te perder,
Do vazio que fica não te ter a meu lado quando te falar é pecado.
Sabes a resposta para este constante relógio sem destino,
Quando afinal valemos tão pouco num mundo tão pequenino.